MUSEU VIRTUAL DA HISTÓRIA DAS CAMISAS DO ESPORTE CLUBE BAHIA. UMA TENTATIVA DE RESGATE DE PARTE DA MEMÓRIA TRICOLOR, APARENTEMENTE PERDIDA NO TEMPO, FEITA POR DOIS TORCEDORES E COLECIONADORES DESSA PAIXÃO.
No último dia 23/01/2010 o Bahia enfrentou o Feirense pela 2ª rodada do campeonato baiano 2011. Até aí, um jogo normal (o Bahia venceu por 2x0, gols de Camacho e Ávine). A novidade desta partida ficou por conta da camisa que o time usou: uma bela camisa retrô, alusiva ao ano de 1936.
A camisa faz parte de uma série de ações de markting em comemoração aos 80 anos do Esporte Clube Bahia, e o melhor é que ela teve participação direta do blog "Camisa do Bahia" na sua concepção e desenvolvimento, o que mostra, mais uma vez, o reconhecimento do nosso trabalho de pesquisa da história das camisas do Esquadrão de Aço. Mas por que o ano de 1936? Bom, a história é longa. A intenção inicial do marketing do clube era lançar uma retrô baseada na primeira camisa que o time usou no ano de sua fundação, 1931. O problema daquela camisa é que ela não tinha escudo e, talvez tentando não repetir o equívoco da camisa retrô de 59, resolveram fazer uma baseada em alguma camisa que realmente tivesse usado escudo originalmente. Contanto com a ajuda dos grandes pesquisadores Duda Sampaio e Alexandre Teixeira, descobrimos que, à época da concepção, a camisa mais antiga com escudo que tínhamos registro visual era uma branca de 1936. Sendo assim, foi essa a escolhida. Vale salientar que não afirmamos que esta foi a primeira camisa do Bahia a ostentar um distintivo do clube - pode até ter havido algum modelo anterior com essa característica - mas, como já dissemos, na época da concepção era o registro visual mais antigo de uma camisa com estudo, já que nossas pesquisas baseiam-se tão somente em fotos de época (e/ou vídeo, se for o caso). Este belo modelo de 1936, conforme é possível ver na foto abaixo, era toda branca e tinha gola em "V" tricolor, bem como duas listras, azul e vermelha, nas mangas. A única diferença da retrô para o modelo que inspirou foi a inserção do logotipo da Lotto em um discreto tom dourado, bem como um etiqueta próxima à barra onde se lê "Retrô 1936". Pela primeira vez, a Lotto acertou a mão numa camisa retrô, fazendo um modelo fiel à da época, que resultou num belíssimo modelo, talvez um dos mais bonitos dos últimos anos. Foram fiéis, inclusive, no escudo, onde mantiveram o nome do clube originalmente escrito em inglês: Sport Club Bahia (detalhe esse frisado por nós quando prestávamos a consultoria ao Bahia, e que eles obedeceram). Pra completar o uniforme, short azul e meiões brancos com uma faixa vermelha. Destaque especial também à camisa de goleiro: como não tínhamos nenhuma referência nem registro visual dessa camisa, ela foi concebida por conta da Lotto, mas isso de forma alguma a desabona, muito pelo contrário: ficou com uma beleza indescritível. Parabéns à Lotto! Quando é pra criticar, criticamos; mas quando se trata de elogiar, fazemos questão de elogiar e reconhecer um belo trabalho. Não foi a primeira vez que o time usou uma camisa retrô em jogo; já havia feito isso no ano passado, contra o Coritiba pela Série B de 2010. Mas aquela camisa tinha um agravante de não ter sido fiel à camisa que a inspirou, já que ela foi feita com escudo, enquanto que a original de 59 não tinha. Mas isso é outra história (e que já foi motivo de post aqui no Camisa do Bahia). De um modo geral, ficamos orgulhosos - não só como torcedores, mas também como colecionadores - de ter participado da concepção de uma camisa do clube que amamos, e ficamos satisfeitos de ela ter sido feita exatamente como sugerimos. Mais uma vez, deixamos nossos parabéns à Lotto e ao Esporte Clube Bahia, através de seu departamento de markting.
Jogador Romeu ostentando a camisa que inspirou o modelo retrô, em 1936 (crédito da foto: Alexandre Teixeira)
Modelo usado no jogo Bahia 2x0 Feirense
Não menos bonita ficou a camisa de goleiro: simplesmente sensacional!
Quando comecei a assistir a jogos de futebol, uma coisa sempre me chamou atenção: as cinco pesssoas que sempre entravam em campo com uniformes diferentes dos demais. Eram os árbitros (e seus auxiliares) e, principalmente, os dois goleiros. No que diz respeito aos árbitros, suas roupas eram quase sempre pretas e sóbrias. Na década de 70, exceções eram camisas amarelas ou vermelhas, que ainda assim eram raras. Mas marcante mesmo sempre foram, para mim, as camisas de goleiro. Não só por serem diferentes, mas por liberarem a imaginação dos designers para criarem verdadeiras loucuras que nada tinham de semelhante ao uniforme tradicional da equipe. Quem não lembra do colombiano Higuita, do seu compatriota Navarro Montoya, do "louco" mexicano Jorge Campos e, mais recentemente, do francês Jeremie Janot, que na maioria das vezes chamavam (ou chamam) mais atenção pelos seus trajes multicoloridos (às vezes criadas por eles próprios) do que pelas suas atuações? Se historicamente o Bahia nunca ousou muito nas roupas usadas por seus goleiros, alguns uniformes chamaram a atenção pela excenticidade. Posto aqui, inicialmente, duas pérolas, não tanto pela beleza, mas pelo caráter inusitado. Primeiro, uma camisa da Penalty azul royal, usada várias vezes por Jean e pelo camaronês William Andem, que de inusitado tem os desenhos aplicados no formato da logomarca do fornecedor, nas cores branca, vermelha e amarela... Um verdadeiro abadá! A outra, da marca Proonze, tambem foi usada por Jean, mas antes dele, vestiu o craque veterano Rodolfo Rodriguez, uruguaio que, mesmo em final de carreira, teve momentos brilhantes no tricolor. Ficou marcado, porém, por dois fatos tristes: tomou aquele ridículo gol feito pelo ainda adolescente Ronaldinho, hoje Fenômeno, no Mineirão, quando desesperado pelo massacre que sofria do ataque cruzeirense, soltou uma bola que já estava dominada para se lamentar, parecendo até rezar para que o bombardeio parasse, quando teve a pelota "roubada" pelo atacante que só fez empurrá-la lentamente para as redes. Depois, foi pego pelo exame antidoping, fato que terminou fazendo o goleiro encerrar definitivamente sua carreira. Talvez se as camisas fossem totalmente lisas, ou seja, sem detalhes, não chamassem tanto a atenção. Mas o que salta aos olhos é justamente o psicodelismo das formas das estampas, bem como sua mistura de cores, que marcaram bastante essas camisas.
Nas minhas "andanças" pelo Orkut, deparei com um scrap do amigo Luiz Henrique falando sobre o seu blog, o Show de Camisas. Fui então fazer uma visitinha e deparei com um blog muito bacana. Postagens frequentes e regulares, com muitas fotos de excelente qualidade e uma enorme variedade de camisa de times de todo o porte, dando uma visão bem ampla do que temos de melhor e pior em termos de camisas. Entrei em contato com o Luiz que me pediu uma camisa para colocar na seção "Varal do Colecionador". Mandei uma de 1962 do Bahia que já foi motivo de um post nosso e na mesma hora estava lá. Não deixem de visitar esse belo blog do grande Luiz Henrique, que esta sofrendo com o time dele, o América de Sao Jose do Rio preto-SP, mas nao descuida do seu excelente trabalho na internet.
Depois de muito mistério, finalmente foi revelado o novo 3° uniforme do tricolor. Conforme já propalado maciçamente pelo marketing do clube, a camisa veio na cor vermelha (com detalhes em amarelo e azul) aludindo à seleção espanhola, campeã do mundo na última Copa. A princípio, a homenagem não faz muito sentido, pois, não obstante o fato de a Bahia possuir a maior colônia espanhola do país, esta nunca teve uma relação estreita com o time. Ao que parece, quiseram apenas pegar carona no bom momento da Espanha no cenário mundial (muito embora este humilde blog ache que a decisão de se fazer uma camisa vermelha só foi tomada após a nossa descoberta da camisa vermelha de 64, já que, a princípio, o que se divulgava no primeiro semestre era que a nova camisa seria cinza/prata, numa alusão ao "Esquadrão de Aço") Apelidada pelo clube de "Fúria Tricolor", ela estreou no jogo contra o Coritiba, em Pituaçu. A exemplo de 2007, quando o Bahia também estreou um terceiro uniforme, o Bahia empatou um jogo em casa na estréia da camisa, com direito a penalty perdido pelo artilheiro do time. Coincidências do futebol. Quanto à camisa em si, está sendo um caso de amor ou ódio: muita gente tem gostado da camisa, ao passo que outras pessoas tem odiado. Não tem meio termo. Na opinião do blog, a camisa está linda, muito bem concebida. O layout da camisa é inédito, fato raro na Lotto, que tem o péssimo costume de adaptar seus lay-outs padronizados que já saíram de linha na Europa. Ponto pra fornecedora. Outra novidade é a tipografia da fonte dos números às costas, também inédita (e de bom gosto, diga-se de passagem). O que mais chamou a atenção, ademais da cor, foi a gola. A "imitação" de gola polo, aplicada na própria camisa, não é uma coisa inédita em se tratando de camisas de futebol - o próprio Bahia já suou uma camisa assim em 2007, na época da Diadora - mas caiu muito bem no conjunto da camisa. A extremidade das mangas e a barra da camisa vieram com detalhes em amarelo, e o logo da Lotto nas mangas veio em azul. Atrás, na gola, a inscrição "Fúria Tricolor" e, logo abaixo, duas pequenas bandeiras da Bahia e da Espanha completam o visual Enfim, no conjunto da obra, ainda mais formando com o calção e meião, a camisa ficou perfeita. O único porém, fica por conta do logotipo do patrocinador master. Não precisava ser gigante daquele jeito (o rival, também patrocinado pela mesma empresa, tem um logotipo de tamanho compatível com a camisa). A repercussão da camisa também foi forte dentre os colecionadores e apreciadores de camisas de futebol, mesmo entre os não torcedores do Bahia. Veja, por exemplo, os debates no Minhas Camisas e no blog uruguaio Todo sobre Camisetas. Enfim, a camisa tem tudo pra virar um sucesso de vendas e ser uma das cmaisas mais marcantes que o clube já teve.
Mock-ups dos conjuntos de camisa, shorts e meiões (foto: site oficial do clube)
Evento de lançamento da nova camisa, momentos antes da partida (foto: Sempre Bahia)
Time posando para foto
Lay-out da camisa é inédito...
...bem como a tipografia da fonte dos númertos às costas
Como não poderia deixar de ser, depois de pouco mais de um ano fazendo um trabalho sério, apesar de despretencioso, de pesquisa da história das camisas do Bahia, começamos a colher os frutos de reconhecimento deste trabalho. Semana passada foi publicada uma entrevista nossa ao blog Esquadrão Interativo, um site muito interessante sobre futebol do pessoal do Esporte Interativo. O blogueiro, Thiago Zanetin, conheceu o blog através do post da camisa vermelha de 64, gostou do trabalho e resolveu bater um papo conosco, onde falamos não só das camisas e de nossas coleções, mas também sobre a situação atual do Bahia dentro e fora de campo e da nossa visão de torcedor sobre o time. Interessante foi ver que tanto o blog quanto seu autor não são baianos, muito menos torcedores do Bahia, ou seja, não se encaixam no público alvo do nosso blog, mas ainda assim conheceram e gostaram do que viram por aqui. Fica aqui, publicamente, nosso agradecimento ao Thiago e ao pessoal do Esquadrão Interativo pela oportunidade e reconhecimento. Valeu, galera!!!
Chega o ano de 2009 e crescia e expectativa pela nova coleção da Lotto para o tricolor. O Bahia respirarava o que deveriam ser novos ares, com novo presidente e um gestor profissional para o futebol, contratado a peso de ouro oriundo do arquirrival do tricolor. No evento de lançamento, muita festa, presenças ilustres com a do craque Daniel Alves e insatisfação imediata com o marketing do Bahia que resolveu mudar o escudo do clube, usando uma horrível bandeira tremulante e desfigurando nosso maior símbolo. Outro fato atípico e muito comentado foi o ex-presidente rubronegro vestindo uma camisa nova da Lotto que mal caberia em 1/3 do seu corpanzil... Hilário! Fora o fato de que o lançamento das camisas aconteceu no dia 30 de Junho, exatamente na virada do 1° para o segundo semestre!!! Ou seja, o time começava o brasileirão jogando de camisa velha e terminava jogando de camisa nova (veja fotos do lançamento aqui) No que concerne às camisas, embora muitíssimo simples, toda branca, inclusive a gola, um friso em relevo também branco na altura do peito que na manga passava a ter uma "dupla face" interna em azul, a camisa agradou. Pela primeira vez em muitos anos, a camisa branca não tinha nenhum detalhe azul ou vermelho. Material de primeira qualidade e, na primeira remessa, sem patrocínio master o que a deixou mais elegante. A tricolor foi um pouco mais polêmica. Na verdade, era bicolor, com listras largas em azul e vermelho com o branco ficando relegado apenas a gola redonda, que tinha uma leve assimetria, deixando um dos ombros vermelhos inteiramente. Sozinha, não impressionou muito, mas, no conjunto com short azul e meiões vermelhos tornou-se bastante imponente e terminou caindo no gosto da galera. Vistas lateralmente, as camisas aparentavam ser inteiramente vermelhas de um lado ou inteiramente azuis de outro, dando um efeito semelhante à uma camisa do Paraná Clube, por exemplo. Todas elas tinham um logotipo da Insinuante no peito (na listrada, vinha dentro de uma caixa branca de gosto duvidoso, que quebrava a harmonia das listras). No decorrer do ano, foram inúmeros os patrocínios usados pelo tricolor, muitos deles temporários, o que nos dava uma camisa diferente a cada três ou quatro meses (e que leva qualquer colecionador à loucura! Rsrs). Primeiro, o pequeno símbolo da Insinuante no peito, e o Vedacit nas mangas, presentes desde o lançamento; depois, tivemos City Park Brotas e City Park Acupe, que eram empreendimentos da OAS e que estamparam suas marcas em apenas 4 jogos cada, sempre em casa (por este motivo, só foram aplicados na camisa branca); tivemos também um patrocínio relâmpago da Diagnoson, que só foi usado no jogo contra o Figueirense fora de casa; depois, já em 2010, a OAS passa a estampar sua marca na frente, como patrocinador master e o “IN” passa para as mangas; e finalmente, não satisfeita com o tamanho de seu logotipo, a OAS resolve agigantar sua marca na camisa, estampando um patrocínio meio que desproporcional. Isso sem falar no BMG, usado nos ombros apenas nas finais do baianão, 2010 e do Incomaf, onipresente nas costas da camisa. Ufa! Chega de tanto patrocínio!
Não tivemos 3° uniforme nessa temporada, depois de 2 anos seguidos, 2007 e 2008, com essa opção alternativa. Em campo, nada do prometido se cumpriu e o time oscilou entre o meio e a rabeira da tabela, em alguns momentos até sendo ameaçado pela degola para terceirona mais uma vez. No final, entre mortos e feridos salvaram-se todos, até a diretoria que até esta data, ainda deve uma série de promessas não cumpridas ainda manda no Bahia. Cabeça mesmo, só rolou a do antigo mandatário do time de canabrava, que teve vida curta no Bahia.
Acima, as camisas 1 e 2 em ação, praticamente limpas, sem patrocínio master, da forma que foram lançadas originalmente(apenas o IN no peito e Vedacit nas mangas)
Veja, na sequência abaixo, as diversas variações de patrocínio que as camisas de 2009 tiveram ao longo de sua existência:
Patrocínio City Park Brotas, usadas inicialmente em 4 jogos em casa na Série B 2009
Aqui, com patrocínio City Park Acupe, também usadas em 4 jogos em casa, na sequência do empreendimento de Brotas - percebam que a cor da palavra "City" é diferente
Patrocínio Diagnoson, utilizado apenas contra o Figueirense, fora de casa, pela Série B 2009
Depois do sucesso dos City Park´s, a OAS assume o patrocínio master com sua própria marca (inicialmente pequena). Saem o "IN" do peito e o Vedacit das mangas.
Ainda com patrocínio OAS pequeno, o "IN" volta à camisa, desta vez nas mangas
Já no campeonato baiano 2010, a OAS agiganta sua marca na camisa, que ficaria assim até o final de sua trajetória, em agosto de 2010
Na fase final do Baianão 2010, a camisa estampa o patrocínio BMG nos ombros
O Blog "Camisa do Bahia" se fez presente no lançamento da nova coleção da Lotto para 2010, e captamos as imagens abaixo:
COMENTÁRIOS DO BLOG:
Apresentadas as camisa do Bahia, alguns comentarios sobre as camisas 1 e 2 devem ser feitos. Vamos a eles: Com relaçao à camisa tricolor, foi a que mais agradou, ficou linda. Recupera o padrão com listras tricolores, entretanto com um toque de modernidade. Finalmente a Lotto lembrou que o Bahia é um time azul, vermelho E BRANCO, e não apenas azul/vermelho! As faixas vermelhas laterais que avançam para a manga dão uma renovada no consagrado padrão. O corte da manga e a barra diferenciada dão uma boa moldura para o conjunto. A gola voltou a ser "polo redonda" (como no modelo 2008), que embora não seja unanimidade, tem seus méritos e agrada a muitos. Antes do lançamento, diziam que ela teria sido inspirada no modelo de 59, mas vendo-a ao vivo e em cores, ficou muito longe disso. Mas de forma alguma isso tira o mérito da camisa, que ficou realmente bonita e agradável. Já a camisa branca passou a ter mais detalhes em azul e vermelho, abandonando a monotonia da camisa toda-branca-sem-sal de 2009. A gola, os detalhes das mangas e da barra (divididas ao meio em azul e vermelho) sao bem diferentes e, embora estranhos de inicio, têm tudo para agradar. O único porém sao as finas listras nas laterais. Desnecessárias. Embora discretas, destoam do conjunto que ficaria mais sobrio e imponente sem elas. No mais, material de excelente qualidade e acabamento impecável, como é costume da Lotto. Triste mesmo foi o gigantismo do patrocínio da OAS, que mancha um pouco a beleza das camisas, sobretudo a branca. E o grande deslize, unânime entre os torcedores, foi o uso da cor preta no patrocínio. A mudança do emblema da Lotto nas mangas, que deixou de ser um quadrado vazado, "limpou" um pouquinho o visual das mangas. Fora isso, foram perceptíveis o aumento de tamanho tanto do escudo quanto do logotipo da Lotto. A tipografia da numeração das costas permanecem inalterados, mantendo o padrão da coleção anterior, bem como as cores (vermelha na camisa branca e branca na camisa tricolor). Notas do blog Camisa do Bahia: tricolor 8,5; branca 8. Ficamos, agora, no aguardo da tão falada e esperada terceira camsia, a ser lançada em pouco tempo.
(Comentários de Arilde Junior e Ruy Guimarães - Fotos de Arilde Junior e Ronei)
Vez por outra nos deparamos com algumas novidades que nos deixam de queixo caido. Pensei que soubesse tudo sobre as camisas do Bahia, mas ouvi muitas vezes meu pai dizer: "o Bahia usou uma camisa vermelha num torneio que jogou em Nova Iorque, se você não tiver essa, sua coleção nunca estará completa". Nunca levei muito isso a sério, porque, além de já ter fuçado tudo que pude sobre a história do Bahia, ele foi a única pessoa que me falou sobre a existência desse uniforme. Pouco tempo atrás, uma pista: Dodô, ele mesmo, que me deu a camisa de 1962, me disse que tinha uma foto do time na disputa desse torneio. Mais uma vez, com ajuda de seu irmão, Raimurildo, conseguiu a foto para mim. Se o uniforme nao é um primor estético, pelo menos, inova um pouquinho, trazendo para a camisa o vermelho relegado sempre ao meião e a alguns detalhes do acabamento do uniforme. Acho que o short poderia ser branco, mantendo-se o mesmo meião, mas, só a mudança já é interessante. Provavelmente, será impossível conseguir uma camisa dessas, mas, caso surja alguma, estará imediatamente postada nesse blog...Vocês verão aqui a foto do time e a foto da réplica perfeita da camisa já providenciada pelo colecionador Duda Sampaio. Ainda posto o texto da Wikipedia, também "pescado" por Duda, explicando o torneio com detalhes.
No ano de 1964 o Bahia participou do ISL (International Soccer League), torneio que foi disputado entre os anos de 1960 e 1965, e congregava equipes da Ásia, América do Sul, Canadá e México. O seu formato se assemelhava ao atual Mundial Interclubes. William Cox, um rico empresário americano, dono de um time de baseball (Philadelphia Phillies) via um amplo mercado inexplorado nos EUA para o futebol. O torneio, inicialmente jogado em Nova York depois se expandiu para outras cidades americanas: Chicago, Detroit, Boston e Los Angeles. Os campeões foram: 1960 – Bangu (BRA); 1961 – Dukla Praga (TCHE); 1962 – América-RJ (BRA); 1963 – West Ham United (ING); 1964 – Zaglebie Sosnowiec (POL); 1965 – Polônia Byton (POL). A participação do Bahia foi vexatória: participando do Grupo I, juntamente com o Werder Bremen (ALE), Heart of Midlothian (ESC), Lanerossi-Vicenza (ITA) e o Blackburn Rovers (ING), o time ficou em último no seu grupo, jogando seis partidas, com 2 empates e 4 derrotas, marcando 5 gols e sofrendo 12 tentos. A camisa que o Bahia usou era toda vermelha, gola pólo e punhos azuis.
O ano era 2008. Empolgado com a subida para a Segundona - que proeza!!! - o tricolor muda de fornecedor de uniformes. Sai a italiana Diadora e entra a conterrânea Lotto. A Diadora resolveu sair do mercado brasileiro, dedicando-se à moda casual e a esportes menos tradicionais, como o tênis. Na prática, continuava tudo como antes, pois ambas as marcas eram representadas pela mesma empresa no Brasil (a Filon). A Lotto abocanhou as 3 equipes de maior torcida patrocinadas pela Diadora (Bahia, Atlético-MG e Coritiba - Santo André e Ponte Preta ficariam de fora, retornando um ano depois), além de outras equipes patrocinadas por Puma e Topper (Goiás e Sport), também representadas pela Filon, Numa boa estratégia de mercado, a marca passou a se associar a equipes de grande apelo popular, donas das maiores torcidas de seus estados, independente das divisões que jogavam, como Bahia, Galo, Coritiba, Goiás, Sport, Fortaleza, Paysandu, além de algumas outras de menor expressão. Depois de muita festa, de desabamento de arquibancada e de terceira camisa usada só em um tempo de jogo,a nova marca chega para se associar a um time que prometia o retorno à primeira divisão. Sem muitas novidades em campo, Fausto, Charles, Ávne - sempre ele nos momentos ruins - e outros "craques" remanescentes da Terceirona, o fiasco foi o esperado e o Bahia, em momento algum ameaçou a liderança do Corinthians ou dos demais integrantes frequentes do G4 na luta pela tão sonhada vaga para a Série A. Falando na camisa nova, um detalhe que chamou a atenção e gerou controvérsia foi a gola. Tanto a camisa branca quanto a tricolor tinham uma gola diferente. Uma mistura entre gola "careca"ou redonda com gola pólo. Embora diferente, casou bem com o conjunto dando um certo "charme" às camisas. Na branca, nenhuma novidade. Toda lisa com frisos laterais delimitadas por uma costura mais grossa. Patrocínio aveludado enquanto era FIAT, passando a ser silkado quando passou para Insinuante (a FIAT passava a estampar sua logomarca, abandonando a estratégia de anunciar seus lançamentos no mercado nacional, como Fiat Idea, Novo Palio, etc). Já a camisa tricolor voltou a ter as listras brancas mais finas intercalando as azuis e vermelhas, que passaram a ser mais largas, ficando em número de quatro apenas. Completando o design, um friso lateral curvo formava uma moldura para as faixas centrais. Outra sacada legal era a ausência da caixa do patrocínio: a logomarca da patrocinadora foi envolvida por uma discreta moldura azul qua a destacava sem comprometer o conjunto. Para quem não lembra, esse modelo lembrava os da Amddma e da Proonze, que tinham, entretanto, o azul mais encorpado que o da Lotto. Ainda assim, a inspiração foi uma camisa usada na década de 60, que tinha a mesma disposição das listras, usada por pouco tempo. Outro detalhe: a primeira remessa da camisa, inclusive as de loja, tinha tecido mais grosso, com aspecto "trançado", muito parecido com as camisas da Nike originais, as famosas "Authentic". Já a segunda remessa, tanto da home como da away, passou a ser confeccionada com tecido liso, mais fino, repetindo o padrão "supporter" também da Nike. Somente os frisos laterais mantiveram o tecido original. Enfim, marca decente, camisas corretas e time... precisa falar?
Acima, a camisa 1 sendo usada na Série B de 2008
Camisa 2, listrada, em ação pela Série B de 2008
As listras largas já tinham sido usadas em 94, quando o Bahia tinha seus uniformes feitos pela Amddma/Proonze, que por sua vez tb já tinham figurado nas camisas tricolores no fim dos anos 60, como é possível ver abaixo, em imagens de um Bahia x Santos na Fonte Nova, onde o zagueiro Nildon tirou em cima da linha o possível 1000º gol de Pelé!
Interrompo, mais uma vez, a sequência cronológica de postagem das camisas do Bahia. Tenho feito isso quando surge alguma pérola que merece destaque. Dessa vez, para exibir a camisa campeã brasileira de 88. Como já disse anterirmente, para mim, a camisa tricolor da Adidas é imbatível. Sem frescuras, sem detalhezinhos, mas com personalidade e a cara do MEU BAHIA. Usada numa época em que ir à Fonte Nova não era diversão eventual quando não havia outro programa melhor. Durante anos, ver o tricolor jogar em sua casa era religioso. Dava gosto ver Bobô, Charles, Marquinhos, Paulo Rodrigues no auge da sua forma física, dando sangue (às vezes literalmente) por seu time. Não menos craque, não menos dedicado, era Zé Carlos, craque tricolor dos anos 80 que ostentou esse manto que hoje apresento. É fantástico garimpar camisas preciosas para a coleção mas, ainda melhor, é ganhar uma camisa quase impossível de achar de um amigo. É esse o cado. Conversando com Felisberto, amigo e dono do tradicionalíssimo Restaurante Juarez, no Mercado do Ouro, ele me falou que possuia essa camisa, usada e presenteada por Zé Carlos. Mais rápido que pude, ofereci: -compro!!. Duas semanas depois, qual minha surpresa: a camisa estava lá e, generosamente, Felisberto me doou a camisa. Sócio do Bahia, me mostrou sua carteirinha que guarda até hoje, apesar da fase do Esquadrão. Ainda deu tempo de um dos seus muitos clientes tentar demovê-lo da ideia de me presentear e oferecer R$ 100,00 pela camisa, recusados prontamente. Infelizmente, estou sem a foto em que ele passa camisa às minhas mãos e, por isso, não a colocarei agora, mas assim que recuperá-la, postarei para vocês. Jamais poderei agradecer o presente, mas faço essa humilde homenagem exibindo-a aqui. Obrigado, amigão!