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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

2005: A chegada da Diadora



2005 foi um ano um tanto quanto conturbado no Bahia no que diz respeito a uniformes. Pra começar, o contrato com a Penalty tinha terminado no final do ano anterior e, como o time não fechou de imediato com uma nova fornecedora, teve que jogar o campeonato baiano com restos de material do ano anterior. Assim sendo, era comum ver o Bahia jogando com camisas desbotadas, patrocínios aplicados grosseiramente na camisa, apliques e numeração soltando no meio do jogo, etc. Um verdadeiro lixo. E lembrando que esses “restos” ainda tinham que ser divididos com todas as categorias de base.Ou seja, caos geral.

Depois de alguma negociação, o Bahia fecharia contrato com a Rhumell, que voltava ao clube depois de 10 anos (já tinha patrocinado o clube em 94/95, usando tanto o nome Rhumell quanto o de suas subsidiárias Amddma e Proonze). Quando tudo parecia resolvido e finalmente o Bahia teria roupa nova em 2005, o clube rompe unilateralmente o contrato com a empresa (que já praticamente falida, respondia a processos judiciais diversos) por uma razão aparentementemente banal: a empresa errou o tom de azul da camisa do Bahia. Na mesma época, ela já havia cometido erros crassos em outros clubes, como por exemplo no Joinville, onde ela forneceu um lote inteiro de camisas com o nome do clube escrito de maneira errada (Joenville, com “E” mesmo). Tamanha incompetência foi a gota d´água.

O clube voltou ao mercado e rapidamente fechou com a multinacional italiana Diadora, num contrato de 3 anos. A decisão parece ter sido acertada, pois as camisas viriam com um material de melhor qualidade, com design italiano atualizado com o que era fornecido na Europa e com a chancela de uma empresa de nível mundial, que fornecia pra vários times e seleções de renome ao redor do mundo. Porém isso tudo viria a ter um preço: a padronização da camisa de acordo com o lay-out mundial da marca. O Bahia perderia a exclusividade de ter camisas especialmente desenhadas para si, como era na época da Penalty. Passaria a ser apenas “mais um” no cast da Diadora. Se você quisese, por exemplo, saber como seria a camisa do Bahia pra determinada temporada, bastava olhar a camisa da Roma, sempre lançada na Europa alguns meses antes: a camisa seria igual, mudando apenas as cores e patrocinadores. Como também seria igual à camisa do Santo André, do Palmeiras, do Cobreloa, do El Nacional do Equador, dentre outros.

Seguindo essa linha, a camisa branca veio no padrão Diadora: tecido mais elástico, no estilo “kombat” (colado ao corpo, pra dificultar a puxada de camisa por parte dos adversários), duas faixas azul e vermelha que saiam do pescoço em direção à axila direita e o símbolo “One of Eleven” na manga, padrão de identificação da empresa (que na camisa do Palmeiras mudava de cor conforme aumentava a temperatura do corpo... tecnologia esquecida na camisa do Bahia). E, pra completar, o tosco patrocínio Muriel, que já vinha sendo usado desde o começo do ano nos molambos da Penalty, junto com o logo da Fiat nas mangas. De um modo geral, o conjunto não era nenhum primor de beleza, mas era harmonioso e não comprometeu a estética. No uniforme 2, nada empolgante: camisa, sem sal, tinha muito branco “sobrando” (tradicionalmente, nas camisas 2 do Bahia o branco é só um detalhe) e na parte listrada, que realmente era o que interessava, listras azuis e vermelhas coladas... sem o branco! Ou seja, totalmente “nada a ver” com a tradição de camisas listradas do Bahia (tudo bem, a Diadora não foi a primeira nem seria a última a cometer esse sacrilégio).

O resultado é o que pode ser visto nas fotos acima e abaixo. Em campo, a camisa não trouxe muita sorte ao tricolor: mais uma vez, como já estava tornando-se praxe, sem título no campeonato baiano, péssima campanha na Copa do Brasil e queda para a Série C do Campeonato Brasleiro.

A Diadora chegava com o pé esquerdo ao Bahia.

Evento de lançamento dos novos uniformes Diadora


Artilheiro Dill vestindo a camisa branca em 2005


Uniforme 2 em ação pela Série B de 2005


Uéslei vestindo a camisa branca em sua apresentação

Acima, a camisa da Rhumell que seria usada caso o contrato não fosse rompido

terça-feira, 20 de outubro de 2009

2003: O COMEÇO DO FIM



28/06/2003, Vila Belmiro, Santos 4 x 0 Bahia - vitória de número 300 do Santos em campeonatos brasileiros;

07/08/2003, Maracanã, Flamengo 6x0 Bahia – Edilson marca 3 vezes, o técnico Evaristo de Macedo entrega o cargo após o jogo e nem retorna à Salvador junto com a equipe;

22/10/2003, Fonte Nova, Bahia 4 x 7 Santos - show de Diego, Robinho, Léo e cia;

14/12/2003, Fonte Nova, Bahia 0 x 7 Cruzeiro - Alex brilha, faz cinco gols com colaboração de um "apavorado" Valdomiro e o Cruzeiro ultrapassa os 100 gols no campeonato(só no Bahia foram 12!).

Assim foi o Brasileirão de 2003: saco de pancadas dentro e fora de casa! O Bahia ajudou a fazer a alegria de várias torcidas, com equipes rivais fazendo história às suas custas. Resultado: novo rebaixamento, dessa vez sem direito a "tapetão" e nem virada de mesa. Último colocado entre os 24 times de Brasileirão. Daí para cá, momentos ridículos e raros rompantes de uma falsa alegria se sucederiam na vida do sofrido torcedor tricolor.

Time fraco merece uma camisa horrorosa e a Penalty parecia prever o fiasco quando lançou uma insossa camisa branca com faixas azuis largas nas laterais da camisa. A empresa parecia ter perdido a inspiração que levou a lançar belos e inovadores uniformes no início da parceria nos anos 90. Raras vezes o Bahia usou uma camisa tão desalinhada com sua história: nem arrojada, nem conservadora e, eventualmente, estampada com um "auto-patrocínio" do programa Sócio Torcedor, sem contar o vexatório patrocínio da água mineral “Frésca” – com acento mesmo – razão de piadinhas por parte dos rivais, mas que até calhava com a situação do time naquele momento. Enfim, uma camisa à altura o futebol apresentado naquele ano por Preto, Cícero, Accioly, Valdomiro e cia. De novidade, mesmo, apenas o logo da Penalty que não tinha mais o nome da empresa e a numeração às costas que voltava a ser vermelha (o azul e o vermelho alternavam-se ano após ano). Já no segundo uniforme, a tradicional camisa tricolor, listrada em vermelho, azul e branco, mais uma vez foi desprezada, dando lugar a uma camisa azul royal com uma faixa larga vertical vermelha que passava sob o escudo, ladeada por duas faixas brancas mais finas. Bonita? Eu até acho, mas não passava de uma cópia da camisa do Paris St. Germain, essa sim, classuda, pois o azul marinho nela usada contrastava com o vermelho, dando um aspecto muito mais elegante. Como dizem por aí, "cada time tem a camisa que merece..."


Versões das duas camisas com o "auto-petrocínio" Sócio Torcedor, finado programa de sócios do clube


Camisa com o patrocínio Frésca (foto do evento de lançamento do patrocínio)



A insossa camisa branca em jogo contra Corinthians (acima) e Santos (abaixo, na humilhante derrota por 7x4 na Fonte Nova)


Uniforme 2, ainda sem patrocínio

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

PENALTY - PARTE 2



Em 98, depois de 3 temporadas com a mesma camisa (a mesma desde a sua estréia no tricolor), a Penalty renovou os uniformes do Bahia, promovendo mudanças que, mais uma vez, seriam marcadas pelas inovações. Na camisa branca, saíram as listras horizontais na barriga e entraram duas faixas (uma azul e outra vermelha, mais fina) acompanhando toda a extensão dos ombros e indo até às mangas. No uniforme 2, a inovação contou com uma dose maior de ousadia: as inéditas e largas listras diagonais, vermelhas e azuis, intercaladas por finas listras brancas. A boa qualidade dos tecidos (um “jacquard”, segundo nosso amigo Ronei) se manteve nestas novas camisas, com as já tradicionais marcas-d´água em degradê. As inovações não pararam por aí: pela primeira vez, a Penalty adotava seu logotipo e o escudo do clube em alto relevo flocado (aveludado). Pensando no torcedor, ela fabricou uma versão mais barata da camisa (conhecidas hoje como “suporter”), com tecido mais simlples em relação à camisa "de jogo" e escudo e logotipos apenas pintados no tecido, como forma de popularizar a camisa entre os torcedores. É possível perceber a diferença entre os dois tecidos numa das fotos abaixo.

No ano seguinte, em 99 (até a metade da Série B), a camisa manteve o mesmo lay-out, com apenas uma mudança bastante sutil: a fonte dos algarismos da numeração às costas, que passou a ter um visual mais arredondado, com o logotipo da empresa ganhando maior destaque dentro do algarismo.

A boa qualidade das camisas também se revelava nos detalhes, como o nome “E.C. Bahia” bordado atrás da gola e a presença do escudo tricolor até mesmo na etiqueta interna, presentes já na versão anterior

Lembro que a estréia dessa camisa ocorreu na Fonte Nova, num BA-VI, de forma bastante inusitada: os jogadores adentraram ao campo a bordo de 3 vans H100 da Hyundai, numa criativa forma de promover a marca da montadora coreana, que também estreava sua marca nas novas camisas naquela oportunidade.

Vestindo estas camisas, o Bahia passou por um dos momentos mais vergonhosos da sua história, como a péssima campanha na Série B de 98 (quase rebaixado à Série C) e o papelão protagonizado junto ao rival no episódio da final do campeonato baiano de 99. O título baiano de 98 amenizou a passagem dessa camisa no Bahia.

Acima, a diferençao na tipografia entre 98 (esq) e 99 (dir)


Acima, é possível perceber a diferença entre os tecidos das camisas "de jogo" e a "de tocedor" (clique na foto para aumentar)


Fábio Baiano vestindo a camisa branca em 98 (com Marquinhos ao fundo)


Time campeão baiano de 98